quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O desfecho

Já resolvi este assunto flagrante. Cheguei ao pé dela e gritei Cheiras mal, bleck! enquanto lhe apontava o dedo e fazia caretas.
Não, estou a brincar. Procurei uma forma politicamente correcta. Também não encontrei. Não sou de floreados. As duas sozinhas na farmácia, disse-lhe que precisava de falar com ela. Que um utente alertou os patrões para o dito problema, e eles andaram mais atentos e repararam. As colegas também já tinham dado conta desde o primeiro dia. E ficou decidido que esta conversa tinha de existir. Não para a deitar abaixo, apenas como uma crítica construtiva. Para que ela se mancasse - falta-me palavra melhor - e tomasse as medidas adequadas. Mais valia ouvir por mim do que pelos patrões. Ou por um utente mais desbocado. Não é algo que ela tenha gostado de ouvir, mas eu também não gostei de dizer. Tinha de ser feito.

Ela chorou, envergonhada, sem sítio onde se enfiar. Eu falei sem pausas e sem margem para resposta. Posso sentir-me uma besta depois, mas sou incisiva quando assim tem de ser. Paninhos quentes não iam ajudar (os metafóricos não, mas talvez os literais...). No fim disse que o recado estava dado e não se falava mais no assunto, então até amanhã, entras às 9h não é?

A verdade é que a conversa surtiu efeitos. Hoje trazia o cabelo solto, ainda molhado, tresandava a perfume (que também veio com ela na mala), tinha uma roupa que não lhe conhecíamos. Eu devo ter sido uma verdadeira cavalgadura, porque - caraças - até o cacifo ela se pôs a limpar na hora de almoço.

Pensei que me ia odiar para o resto da vida, que ia ficar um ambiente de cortar à faca, como quando vemos um ex-namorado a passear de mãos dadas com uma gorda. Mas não. Falou-me bem, ate melhor que o costume, risinhos nervosos, agora temos um segredinho em comum e somos amigas forever. Um daqueles segredos que não é segredo para ninguém, mas enfim.

Moral da história: nunca culpem o mensageiro.

8 comentários:

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    1. Ouch... Também sei ser um pónei fofinho!

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  2. Ainda bem que correu tudo pelo melhor. E devias pôr o tal perfil no CV. ahaha
    kiss na cheek

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    1. Espero não ter de voltar a usar estas aptidões recém-descobertas. Obrigada!

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  3. Eu quase de certeza que não teria tido coragem. Há uns anos tive uma colega que estava às três semanas sem lavar a cabeça, a coisa era comentada por toda a gente e ninguém se atrevia a falar-lhe no assunto.
    Acabou por ser uma de nós, mais valente, que a abordou (era tudo a escusar-se). Só resultou por uns tempos.

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    1. No meu caso foi voluntariado à força. Os patrões "pediram-me" que falasse com ela, porque seria menos constrangedor ter esta conversa com uma colega do que com eles.
      De qualquer das formas, nunca é bonito. Mas é um mal necessário. Depois a pessoa em causa faz o que quiser com a "informação", isso já nos ultrapassa. :)

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